Sobre não me reconhecer

Eu não sei exatamente o que a vida está pedindo de mim. Só estou começando a pensar que as vezes os sonhos que sonhamos não são os sonhos que vivemos. Por inúmeros motivos, cada pessoa com o seu.

A vida surpreende a cada dia, pensei que estava preparada para tudo, aliás achava que nada iria me atingir tão cedo, que a vida que conhecia seria vivida por um bom tempo, mas o plano não era esse. Tudo mudou. Tudo. Minha existência foi posta a prova, minha personalidade foi questionada e toda a minha vida, mais uma vez, precisou de um recomeço. E nem sei se posso reclamar. Eu que sou sempre a primeira a bater no peito e falar “muda de lugar”, eu que sempre rezo para as mudanças serem constantes na minha vida, eu que tenho sede de mudança, que odeio permanecer no mesmo local física e mentalmente, vi o mundo virar de ponta cabeça. Você quer mudanças Juliana? Taí, aprende a viver de uma forma nova agora. Prepare-se para uma outra vida, novamente.

Eu tenho muitas memórias dentro de mim que parecem lembranças de coisas que nunca aconteceram. São pensamentos de uma vida tão distante e tão diferente que nem parece que fui eu que vivi aquilo tudo, os sentimentos que tinha não conversam com a pessoa que sou agora, as vontades não fazem mais sentido. Não consigo enxergar nenhum vestígio de quem eu fui, parece vidas vividas por personagens diferentes. Acho que o tempo e as mudanças (boas e ruins) me distanciaram de certas memórias. E talvez seja assim daqui pra frente também. Porque eu mudando, muda minha perspectiva. E com um olhar diferente sobre a vida, tudo que vem do passado torna-se diferente, estranho à mim. E dessa forma, caminharei para uma outra vida, mais uma vez, distante e completamente diferente daquela que, com muito custo, me adaptei.

Acho que todos precisamos passar por certas curvas na vida, umas mais sutis e outras trágicas, literais e em sentido figurado. Depois da minha primeira curva significativa passei por muitos infernos, dias de fogo intenso, mas também vivi muitos momentos nas nuvens, leve. O contraste é muito grande porque até então parecia que tudo vinha muito devagar, nada de grandioso acontecia e depois dessa curva só vieram fogos de artifícios, algumas vezes queimando e outras enfeitando a vida.

Pode ser a vida chamando minha atenção – “É hora de aprender menina, o tempo está passando”. E é tanta lição que me tornei um pouco perdida, reduzi meu ritmo, ouvi mais o coração e tô aqui todinha maluca, contrastando com a vida. Quando ela me pede calma, estou uma pilha de nervos, já quando ela desliga o ritmo, eu quero correr. Quando penso que será apenas mais um dia entediante, aparece um tornado.

Um dia a gente se encontra, a vida e eu. E talvez nesse dia quando entrarmos em sintonia seja o momento em que eu vá ao encontro daqueles que já sincronizaram com a vida. Até porque eu jamais seria tão forte se não acreditasse que os encontraria de novo. Não possuo religião, ou talvez a religião seja a minha fé, que não tem nome, mas tem amor de sobra.

Assim, nasce uma terceira Juliana, que nada tem a ver com a que nasceu do ventre de minha mãe e que certamente não terá muito em comum com o “eu” que nasceu do acidente de carro. Ainda é cedo para bater o martelo, mas penso que essa nova pessoa será o meu maior desafio.

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