A cidade que me devolveu os sorrisos

{Escrevendo ao som de Quiet Nights}

Eu costumava dizer que jamais iria conhecer o Rio de Janeiro, pois essa cidade não me atraía em nada. Pois bem, fiquei mais de duas décadas sem pisar lá até que um belo dia, num “insight”, minha mente desequilibrada me mandou pra onde? Direto para a cidade maravilhosa!

Era um período complicado, havia perdido minha avó, minha mãe e meu irmão há 06 meses e eu estava na faculdade de Direito que não estava me sendo útil. Meu pai e minha irmã estavam no litoral sul de São Paulo com o resto da família (tios e primos).

Voltava do último de dia de aula daquele semestre e resolvi entrar na internet para fazer pesquisas de cursos de teatro de verão. E encontrei o bendito curso que me levou até o Rio.

Fechei tudo (curso e acomodação) na mesma hora, visto que começaria dali 02 dias. Liguei para meu pai e disse “Então, tô indo pro Rio de Janeiro fazer um curso de TV e Teatro durante as férias. Ah, embarco amanhã”. Ele ficou mudo no telefone, achou que era brincadeira, afinal, não era do meu feitio fazer essas coisas. A noite ele voltou pra casa para conversar comigo, porque eu não conhecia ninguém por lá, a cidade era muito perigosa e eu estaria sozinha.

Só que eu estava decidida e meu pai compreendeu, e ainda me levou no aeroporto no dia seguinte.

E fui, sem saber o que iria me esperar, quem iria me esperar e o que encontraria por lá. Estava tão sem expectativas que mal levei roupas para sair a noite, por exemplo. Queria fazer o curso e espairecer sem nenhum conhecido por perto, sem nenhuma história por trás, sem passado batendo na porta.

Acabei fazendo um curso maior do que eu esperava, apenas porque permiti vivê-lo. Um curso de como voltar a sorrir e ter prazer na vida. Foi um momento muito especial.

Hoje sou completamente apaixonada pelo Rio, que pode ser “mais ou menos” pra muita gente, mas que pra mim hoje faz todo o sentido quando alguém conversa comigo sobre um lar.

Cada vez que passo por lá um sorriso gigante aparece em meu rosto de forma inevitável, eu me transformo. Aliás, esses tempos eu viajei de carro até Arraial do Cabo e passamos pela cidade do Rio de Janeiro para isso. Quando passamos lá minha amiga me olhou e disse “Nem precisa dizer o quanto você gosta daqui né, sua expressão de felicidade diz tudo”.

O que encontrei ali foi de revigorar um coração murcho e apático. Claro, indo sem pretensão de ter responsabilidades a historia era outra, mas tinha que ser assim. Não me arrependo de nada.

E foi assim, literalmente de um dia para o outro que eu passei do ódio ao amor por essa cidade que vibra alegria e me devolveu todos os sorrisos que eu havia perdido.

Se eu pudesse hoje eu cuidaria de toda a cidade e de todo cidadão do Rio de Janeiro, sinto muito por todo o descaso com ambos.

 

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