Hoje eu vou aproveitar o fundo do poço

Não, hoje eu não vou procurar uma saída, olhar pra cima procurando uma luz ou um jeito de escalar esse poço no qual estou enfiada. Hoje eu vou ficar quietinha aproveitando o fundo do poço.

É pesado tentar subir esse poço e hoje eu não quero fazer mais nenhum esforço. Cansei e ninguém pode me dizer que estou fazendo corpo mole. Se todo dia eu tento usar a mesma saída pra fugir de onde estou, e continuo cansada e nervosa, caindo de volta para esse poço frio.

Eu preciso curtir esse momento, sentir o vento gelado que que arrepia a espinha e faz o corpo tremer de dor. Eu preciso sentir os músculos das pernas e dos braços latejando, como se fossem pular para fora do meu corpo. Eu preciso medir os meus pensamentos da minha cabeça e notar como são pesados, fazendo explodir de enxaqueca. Preciso deixar que tudo isso apareça e sejam livres.

Só por hoje eu não quero lutar contra as dores das minhas cicatrizes. Hoje eu vou deixar arder.

Não dá mais pra fingir que não dói ou tentar maquiar a dor com tentativas desesperadas de mudar a situação de maneira urgente, atropelando tudo.

Se eu não enxergo o fundo do poço no qual estou inserida, eu não posso encontrar uma maneira eficaz de sair daqui.

Eu preciso me dar esse tempo de sentir onde estou, de entender que está tudo bem não escalar o poço hoje, porque eu não sou super-heroína, sou humana. E por conta disso eu canso, eu desabo e eu preciso do meu tempo para encontrar a saída. O desespero cega.

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