Au Pair nos Estados Unidos – INTERCÂMBIO

Au Pair nos Estados Unidos

A Elen fez um intercâmbio nos Estados Unidos durante dois anos como Au Pair e respondeu para o Além da Curva de forma bem sincera algumas perguntas sobre o programa e sua estadia no país. Acredito que tenha ficado bem esclarecedor e espero ter saciado as dúvidas de vocês. Qualquer incerteza, podem mandar mensagem para explicarmos.

1. O que é Au Pair e quais os requisitos para se inscrever?

E: Aupair é uma palavra de origem francesa que significa “em iguais condições”. É um programa de intercâmbio, na maioria das vezes realizados por moças que vão para outro país morar nas casas da família anfitriã e que tem como trabalho cuidar das crianças. Em troca, a intercambista recebe acomodação, refeição e um salário modesto. Para poder se inscrever no programa de Aupair dos Estados Unidos é necessário:

  • Ter entre 18 e 26 anos;
  • Ensino Médio completo;
  • Carteira de motorista;
  • Experiência de, pelo menos, 200 horas comprovadas com crianças;
  • Inglês intermediário;
  • Não possuir antecedentes criminais;
  • Não ser casada e não ter filhos.

2. Porque decidiu pelo programa Au Pair nos Estados Unidos?

E: Para adquirir a proficiência no idioma de inglês.

3. Com qual agência você fechou o intercâmbio e o que achou do respaldo dela tanto antes quanto durante o programa?

E: Fui com a Cultural Care e achei o respaldo dela excelente antes de embarcar, porém nos Estados Unidos me deixou a desejar, pois me enviaram em um voo sozinha e tive dificuldades em encontrar o transfer no aeroporto (não falava quase nada de inglês). Achei o suporte da LCCS muito ruim (são as representantes das agências nos EUA), mas acredito que esse problema seja geral e não somente da Cultural Care. Geralmente eles favorecem mais as famílias do que a aupair, em questão a cumprimento de regras do programa, etc.

4. Para quais países pode-se aplicar esse tipo de intercâmbio e porque escolheu os Estados Unidos?

E: Os principais países são Estados Unidos, Alemanha, França e Holanda. Escolhi os Estados Unidos porque é o que possui a língua inglesa e também por ser um programa regulamentado reconhecido pelo governo.

5. Qual foi a sua primeira impressão ao chegar em um país tão diferente?

E: Minha primeira impressão foi de desespero (risos). Percebi que o inglês que havia estudado aqui no Brasil não serviu de nada. Não conseguia formular perguntas para ter um diálogo. No primeiro mês foi bem difícil pois tinha que me comunicar com a família e as crianças no dia a dia, e eles eram bem exigentes. Além também de ter que me adaptar a dirigir com as regras de lá (algumas são bem diferentes). Eu senti mais dificuldade para dirigir no início pois não tive muita experiência dirigindo aqui no Brasil e lá nos Estados Unidos para ir para a maioria dos lugares tinha que pegar a rodovia e isso me apavorava. Demorei uns 6 meses para perder o medo. Depois foi tranquilo, pois lá todos seguem as leis de trânsito e não é tão caótico como no Brasil.

6. Como foi o processo de adaptação ao chegar lá? Foi direto para a casa de família?

E: Antes de ir para a casa de família a agência organiza um treinamento de 04 dias em Nova York com todas as aupairs do mundo que chegaram naquela semana. Esse treinamento é de primeiros socorros, regras do programa de aupair, etc. O bacana é que ali você faz amizade com aupairs que vão morar em vários locais dos EUA. Nesse treinamento fiz amizade com uma brasileira que mora em São Paulo e somos amigas até hoje. Pude perceber no treinamento, também, a grande diferença entre culturas latinas e europeias. Em geral, as europeias falam inglês fluente e nós, latinas, em maior parte não falamos muito bem.

7. Como foi o primeiro contato com a família?

E: Foi bem intenso quando cheguei lá porque era final de semana de dia dos pais e eles me levaram para a casa de praia e pude conhecer toda a família. Eu estava desesperada porque eles falavam muito rápido e eu ainda não conseguia me comunicar muito bem com eles.

Lembro também que eles sempre me cobravam que se eu não entendesse o que eles estavam falando era para eu perguntar, mas tinha vergonha. Isso acabou me atrapalhando um pouco porque algumas vezes eles pediam uma coisa e eu falava outra. Depois de ter passado o final de semana na praia com eles de forma incomunicável, cheguei na casa da host family (família anfitriã) e fiz um Skype com a minha mãe, a única coisa que eu fazia era chorar muito. Não queria preocupar minha mãe, mas eu não tinha ninguém ali e precisava desabafar. Meu desespero nessa hora era porque tudo era muito diferente, além da dificuldade de me comunicar.

8. Qual a maior dificuldade que você teve?

E: Me comunicar com a família que era formada por uma mãe, um pai, 02 gêmeas de 07 anos e um menino adolescente de 13 anos. A última Aupair deles era da Austrália, ou seja, ela falava inglês FLUENTE e eles esperavam o que de mim? Lógico que meu inglês não era nada perto do dela e isso significava que eles deveriam ter muita paciência comigo.

9. Como foi a convivência com essa família?

E: Foi muito ruim. Essa família era muito exigente por conta de já terem tido aupairs que falavam inglês como sua língua nativa. Eles queriam uma brasileira porque gostavam da aupair da família de um amigo que também era brasileira e por isso me contrataram. Mas não levaram em consideração que teriam que ter muita paciência comigo para aprender o inglês. Tinha dificuldade com as crianças que não me respeitavam e tinham preconceito com o meu pobre inglês e a cor da minha pele (isso foi bem ridículo). Tive momentos muito ruins com essa família e quero citar 03 que nunca vou esquecer:

a) A regra do programa diz que quando fazemos viagem com a família aupair, devemos ter um quarto individual. Como eu tinha que viajar todos os finais de semana no verão com eles para a praia me incomodava que lá eu não tinha um quarto para mim e tinha que dormir em um colchão em um quarto com 05 crianças. O pior foi um dia em que eu tive que dormir em um colchão no chão porque a mimada da minha criança queria dormir sozinha em uma cama de casal.

b) Nós brasileiros temos o costume de almoçar. Eu fazia almoço para mim todos os dias e achava normal. Um dia minha host mom (mãe da família anfitriã) me disse que eu não ia poder mais fazer o almoço porque era muito caro e que teria que comer lanche todos os dias.

c) Eu morava no basement (porão da casa) e lá ficava o meu quarto, a sala de brinquedos e a lavanderia. Um dia eu estava na sala vendo TV e vi um rato! Eu apavorei e isso era 23h00 e a host mom já estava dormindo. Eu tenho pavor a rato e não consegui dormir lá, então subi e dormi no quarto das kids (crianças). No dia seguinte eu falei para a host mom o que houve, que eu ainda estava apavorada e não conseguiria descer lá. Ela me disse: o problema é seu, se você quer morar aqui terá que conviver com o rato.

10. Quando decidiu que não dava mais para ficar com eles? E como foi a comunicação para a agência e família? O que eles falaram?

E: Eu, em particular, sou uma pessoa que mesmo passando por dificuldades e estando infeliz não desisto dos meus objetivos. Apesar da minha vida ter sido um inferno nessa família eu não queria pedir o “rematch” (trocar de família ou desistir do programa) pois isso implicaria em correr o risco de voltar para o Brasil se eu não encontrasse outra família. Certo dia, a família pediu o rematch e então eu teria 02 semanas para encontrar outra. Nesse período, teoricamente, você pode ficar na casa deles se permitirem ou com a LCC. Nem a família, nem a LCC quiseram me hospedar, mas ainda bem que consegui ficar na casa de uns amigos mexicanos nesse período. Resumo: a agência não deu suporte nenhum e eu tive que me virar para encontrar outra família. Só consegui encontrar faltando um dia para acabar o prazo do rematch.

11. Porque decidiu dar mais uma chance?

E: A princípio, meu plano era ficar 01 ano no programa. Como eu tinha ficado 03 meses com a família pesadelo na Philadelphia, então para completar 01 ano e cumprir meus objetivos de estudar e aprender o idioma eu teria que ficar mais 09 meses com a segunda família. Como eu tive o “match” (aceitação entre ambas as partes) somente no último dia do rematch, eu estava praticamente aceitando qualquer coisa (risos) pois não queria de jeito nenhum desistir do meu sonho. Essa nova família era de Nova York e tinha dois meninos pequenos (02 e 05 anos). O que significava que meu inglês não precisaria ser tão fluente assim pois as kids eram menores e eu teria que saber trocar fraldas. Eu disse na entrevista que sabia, mas nunca tinha trocado uma fralda antes na minha vida (risos).

12. Como foi com essa nova família? Ainda tem contato com eles?

E: Foi muito boa. Eu me apaixonei pelas crianças e as tratei como se fossem meus filhos. Os pais eram legais mas um pouco mão de vaca, eu fazia parte da família somente em momentos que não envolviam custos. Por exemplo, me convidavam para viajar com eles mas eu teria que pagar. Porque eu perderia minhas férias e dinheiro para viajar com eles? Eu adorava as crianças, mas não seriam férias e sim trabalho! Não tenho mais contato com eles. Me convidaram para ficar o segundo ano e eu não aceitei, a princípio meu objetivo era voltar para o Brasil. Mais para frente mudei de ideia e decidi ficar o segundo ano, mas queria procurar outra família. A partir desse momento eles ficaram chateados e não falaram mais comigo.

13. Como foi com a sua família do segundo ano de Au Pair nos Estados Unidos?

E: Uma amiga, aupair na Philadelphia, me disse o seguinte “Amiga aproveita que já está aqui e fique o segundo ano para viajar e estudar mais, porque quando você voltar para o Brasil não terá a mesma facilidade que temos aqui de conhecer os lugares”. Eu tinha na minha cabeça que só aceitaria ficar o segundo ano se encontrasse uma família legal, porque eu já tinha conquistado o objetivo número 01 que era aprender inglês e não estava disposta a passar por humilhações de novo. Estava com o prazo apertado e não encontrava nenhuma família interessante, certo dia apareceu no meu perfil uma família da Carolina do Norte que era composta por um host dad (pai anfritião) solteiro e uma menina de 10 anos.

A princípio eu estava com um pré-julgamento “O que vou fazer na Carolina do Norte? Lá não tem nada.” Mas decidi conversar com a família para nos conhecermos. Resultado: a menina morava só com o pai porque a mãe havia separado dele e foi embora. A história me comoveu e eu fui cuidar dessa menina, ser a irmã mais velha dela. E pela primeira vez eu me senti parte da família. Todos me tratavam como eu fizesse parte e muitas vezes esse host dad maravilhoso me mimava mais do que meus próprios pais. Ele era como um pai para mim, nossa relação era muito boa, sempre me dava muitos conselhos e nós temos contato até hoje.

14. Como era o contato com as outras Au Pairs, era bom?

E: Muito bom. Fiz muita amizade, não só com brasileiras mas com aupairs de vários lugares do mundo que vão fazer o programa nos Estados Unidos! Algumas delas são minhas amigas até hoje. Em geral, me identificava com as latinas, que possuem uma cultura mais próxima da nossa.

15. Porque decidiu voltar? Acabou o programa de Au Pair nos Estados Unidos? Dava para estender?

E: Decidi voltar porque tinha cumprido meu objetivo lá que era o de estudar. Depois desse objetivo realizado minha meta era voltar para o Brasil para trabalhar na minha área. Se eu quisesse ficar, não dava mais para ser como aupair lá nos Estados Unidos. Eles permitem ficar no máximo 02 anos, portanto, teria que ter outro visto como o de estudante, por exemplo.

16. Se arrepende de ter voltado?

E: No começo me arrependi muito e até hoje dá saudades, mas a gente vai aprendendo a lidar com isso. Eu costumo pensar que depois que você faz intercâmbio, sempre ficará dividida e terá saudades. Mas quando estava lá também tinha saudades daqui, então é complicado. Hoje a minha decisão é de ficar no Brasil pois apesar de eu ser apaixonada pelos Estados Unidos, não vejo graça em apreciar o país sozinha. Sou muito apegada a minha família e quero que eles estejam sempre presentes na minha vida.

17. Para que tipo de pessoas você recomenda essa experiência de Au Pair?

E: Para pessoas que querem aprender um novo idioma, conhecer novos lugares e pessoas, mas que estejam prontas para enfrentar desafios e dificuldades, pois o programa exige que a pessoa seja resiliente e entenda que nem sempre será um mar de rosas. Ás vezes você dá sorte e encontra uma família boa logo de cara, mas muitas vezes não. E lembre-se: você não está na sua casa, então é necessário sempre respeitar as regras da família da casa.

18. Aliás, o que você leva de toda essa experiência? Acha que mudou? O que mais gostou e o que menos gostou em ser Au Pair nos Estados Unidos?

E: Levo as amizades que conheci lá e cultivo até hoje, é muito legal imergir em um universo com culturas diferentes e se adaptar a várias mudanças. No intercâmbio não aprendi apenas o inglês, me tornei menos resistente à mudanças e me fortaleci com as dificuldades. Gostei mais de ter conhecido muitos lugares e culturas diferentes. Não gostei da primeira família que tive.

19. Teve alguma situação engraçada nesses anos como Au Pair lá nos Estados Unidos?

E: Teve (risos) quase ter sido presa porque estava namorando com um boy no estacionamento do meu condomínio. A gente no Brasil que não tem leis desse tipo nunca imagina que lá isso seria algo sério. O policial nos parou e disse que eu poderia ter sido presa por estar em propriedade particular e bla bla bla. Eu abusei do meu sotaque para mostrar que não era de lá e pedi desculpas porque não sabia que não podia.

20. Como era sua liberdade? Quais os deveres que você fazia e acabou fazendo algo a mais do que deveria?

E: A jornada de trabalho de uma aupair é de 45 horas, com 1,5 consecutivo de folga por semana mais 01 final de semana de folga por mês. Os deveres eram fazer as atividades relacionadas às crianças: dirigir, cozinhar, brincar, lavar roupa e limpar o quarto. Já fiz em algumas situações horas extras e lavei a louça de todos na família. Não é correto e você deve conversar com a família caso isso aconteça.

BÔNUS! Fique a vontade para dizer o que quiser sobre toda essa experiência como Au Pair nos Estados Unido para os leitores.

E: Quero dizer que apesar das dificuldades que enfrentei no primeiro ano do programa, a experiência foi incrível e eu recomendo muito a todos a fazerem esse programa. Além de você aprender um outro idioma, você vivenciará na pele a rotina de uma família americana, fará muitos amigos e aprenderá com eles também culturas que você dificilmente teria contato aqui no Brasil. Quando a gente está passando por dificuldades não entendemos o porque aquilo está acontecendo conosco, mas tudo tem um propósito e a família pesadelo do início do intercâmbio me forçou a aprender o inglês mais rápido e também a valorizar o que tenho. Quando cheguei na família da Carolina do Norte valorizei cada carinho que ganhei deles e sou muito grata por eles me tratarem como parte da família.


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