O que você faz da vida?

Por muito tempo eu evitei conversas com qualquer pessoa, porque tudo se baseia na pergunta “O que você faz da vida?”. E se essa resposta não for “trabalho no emprego fixo X de segunda a sexta das 08h às 17h”, você sentirá os olhares de reprovação vindo em sua direção. Inclusive e principalmente pelo povo que acha que cada um tem que cuidar da sua vida. Esses são os primeiros a julgar a vida alheia.

Eu comecei a ter tanto medo da reação dos outros que acabei sendo meu próprio carrasco, me cobrei de uma maneira pesadíssima, muito mais do que qualquer outra pessoa. E isso me deixou marcas tão doloridas que agora preciso de muito tempo para sarar.

Acabei me colocando no pior lugar da sociedade e isso acabou com meu próprio amor. Sufocou meus sentimentos por mim e pelos outros.

Como eu entraria em qualquer relação (amorosa, amigável ou familiar) se eu já me colocava como um ser desprezível por medo do que os outros iriam achar?

DÁ LICENÇA! Vai tomar no cu Juliana.

Que bom que você não precisou trabalhar e pôde salvar a vida da tua irmã. Porque se ela está boa hoje é graças à você.

Que bom que você foi irresponsável e não começou a trabalhar de maneira conservadora, imagina só: você estaria responsável com um emprego fixo, enquanto enterraria sua irmã num caixão.

Para de ser a vítima, você fez o melhor com o que a vida te ofereceu. Ela te deu privilégios com boa estrutura familiar, que por conseguinte te ofereceu boa educação e amor incondicional, além de uma estabilidade financeira até esse período.

Faltaram alguns aspectos? Talvez. Mas você está aprendendo na marra porque a vida é desse jeitinho mesmo, ela vê que você não evoluiu naturalmente e vai causar com você até aprender o que precisa.

No seu caso, Juliana, você precisava aprender tudo muito rápido porque está por vir algo muito grande.

Você ainda não saiu do tornado, mas às vezes ele fica com menos visibilidade na porta de saída. Enquanto estava no meio dele, até parecia que enxergava com clareza, mas é agora que vem a parte doida. Onde não se tem muita visão, mas está próximo da saída.

Graças à tudo que seus pais te proveram, você teve êxito onde a maioria falharia: deu vida à quem só pensava em morrer. Olha pra tua irmã, eu sei que você fica preocupada porque agora ela vive na rua, mas fica feliz também, né? Ela encontrou a chama da energia vital, e isso é mérito seu. Teve ajuda de outras pessoas? Claro. Mas sem você como peça chave, ela já teria ido embora da Terra. Não pensa que é pouca coisa, quem tanto no seu lugar aguentaria tudo que você aguentou?

Então se o emprego fixo não está na sua vida agora, e você escolheu que ele não esteja, isso não te faz menor do que os outros e mais irresponsável de maneira alguma.

O que você faz da vida? Você ama tanto, cuida tanto, que ao invés de se aborrecer que a pessoa que mais ama está deprimida e você não consegue ajudar, você arregaça as mangas e pinta as cores que faltavam na vida dessa pessoa.

Pode ter certeza que são poucas pessoas que conseguem tirar a outra do abismo e que podem escolher estar 100% dedicada à vida do outro. São poucas pessoas que tem coragem de enfrentar o que você enfrentou. Muitas largam mão por não entender ou por esperar que o outro peça ajuda. Você não. Você enfrentou sozinha, sem entender, sem ouvir um pedido de ajuda e com muito medo. Fora tudo o que você enfrentava além disso.

Você teve seu livre arbítrio, eu sei o que você pensa disso, mas teve. E escolheu o caminho mais difícil. Se você não é uma guerreira, não sei quem é.

Para de se achar menos, você gosta tanto das coisas diferentes, das maneiras diferentes de ver o mundo, de estar no mundo, de fazer o mundo girar… porque se preocupar de não estar na via conservadora de pensamentos se não é esse o caminho que você quer seguir?

Luz.

 

 

Você pode gostar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *