Introdução a… nem sei bem o quê

Relutei muito para começar a publicar os textos que virão, afinal não diz respeito à ninguém – quem se importa com o que escrevo aqui? Comecei a relatar esses fatos como um exercício de autoconhecimento, para entender melhor algumas atitudes minhas e de outras pessoas. Escrever parece que, copiando Nelson Rodrigues, enxergo tudo pelo buraco da fechadura. E consigo ver de fora tudo que me aconteceu, dando nome a sentimentos, entendendo situações e analisando um pouco mais friamente tudo que eu não tenho coragem de dizer em voz alta. Quando escrevo acabo entrando em contato com muitos fatores que eu sempre ignorei, pois as palavras surgem em meus dedos, elas fluem sem esforço e acabo me deparando com um texto muito verdadeiro, muito meu, mas que me era desconhecido pois ignorava ou realmente não sabia que existia aquilo em mim ou em minha história. Escrever me faz enxergar o plano geral, do lado de fora, mesmo que seja uma historia profunda e inteiramente minha. Por isso não sei bem o motivo de expô-la, mas uma amiga disse que poderia ajudar alguém aí.

É parte da minha vida que eu nunca contei para ninguém, que ninguém nunca me perguntou. Por mais aberta que eu seja, quando me sinto bem o mundo sabe disso, assim como quando estou mal e faço meus textões no facebook, mas essa nova parte sempre reservei para mim. Só que a Letícia, uma pessoa que vai estar presente em vários textos aqui, disse que esses textos podem ajudar alguém aí que está mal e acha que o resto do mundo tá tão bem, afinal é isso que as redes sociais nos fazem acreditar, que a vida do outro é perfeita. Eu tenho mil momentos bonitos, muitas viagens que acontecem, que corro atrás e assim parece que eu sou a pessoa mais forte do mundo, que a felicidade me encontra pra conversar todo dia, que sou uma pessoa muito abençoada por tanta força de querer viver. E pode ter alguém lendo que está tão focado em si próprio que não enxerga que as tragédias individuais são parte da vida, nas palavras da Le. Ela me disse pra mostrar que todos estamos conectados por linhas de felicidades e tristezas, com demônios a serem exorcizados, mas que não estamos sozinhos. Que a minha felicidade postada no Instagram não é perfeita, mas que as notícias trágicas da minha vida privada também não me perseguem. Talvez estarmos tão ligados na vida social do outro por meios midiáticos acaba destruindo nossa autoestima, nos fazendo sentir sozinhos em nossa dor. “Porque o outro consegue ser feliz, e eu estou aqui miseravelmente sofrendo?” “Olha pelo que o fulano passou e tá aí viajando, namorando, saindo com os amigos, e eu aqui com esse “probleminha”* que não me deixa levantar da cama”?

Eu estou começando a escrever os textos, no primeiro quis fazer um relato nu e cru sobre o acontecimento inicial que me permitiu tantas mudanças. Sem esse momento minha evolução não teria início. É uma história que contei apenas uma vez, no teatro durante um semestre de criação colaborativa onde levamos para nossos ensaios momentos da vida real. Na época escrevi um outro texto que não sei mais onde está e pedi para uma amiga e colega de palco ler pois sabia que desabaria. Foi bem emocionante, meus amigos se emocionaram e um deles me disse que o tocou muito e ele tentaria ser melhor com seus pais. O intuito aqui não é dar lição de moral, sou um ser humano em construção, então tirei essa parte desse novo texto. Esse foi o único momento que contei essa história nesses 06 anos e talvez me arrependa de postar aqui, mas nesse momento sinto que devo compartilhar.

Lembrando que tudo nesse espaço é sobre meu processo como ser humano de lidar com a dor. São muitos erros, muitas dores, muitos arrependimentos, mas se você olha minhas fotos no instagram, as piadas sem graça que de vez em quando posto, vai entender que nessa vida nada é preto ou branco. Existe um equilíbrio, que eu mesma ainda não encontrei, mas quem sabe escrevendo, que é minha maneira de me entender, eu não ache?

* NUNCA MEÇA SEUS PROBLEMAS COM O DO COLEGUINHA, NINGUÉM PODE TE DIZER QUE SUA DOR É MENOR, QUERENDO CATALOGAR OS TIPOS DE SOFRIMENTOS.

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