7. Mochilar

Não sei bem dizer quando comecei a querer viajar excessivamente, buscando alternativas para a falta de grana, mas lembro que um amigo numa conversa despretensiosa me contou de um livro (que virou filme) sobre uma história real de um rapaz que literalmente jogou seu dinheiro fora e queimou seus bens materiais, de codinome Supertramp. Engraçado que eu amei a ideia mas não corri para assistir o filme, fantasiei, como sempre acabo fazendo, sozinha no meu mundinho da lua.

Comecei a frequentar grupos no facebook sobre mochilão, principalmente sobre mulheres mochileiras, encontrei várias páginas de pessoas que viajavam gastando quase nada, vi quais as maneiras de se viajar sem dinheiro, como correr menos risco, enfim, comecei a iniciação teórica do assunto, tentando criar coragem para me jogar no mundão. Conheci mulheres num grupo que admiro muito hoje e as levo como inspiração a cada caminho que percorro. Comecei a entender que não só de maldade é feito o ser humano, mas que precisa sim ser esperto para se jogar no mundo e precisa ter pensamento positivo, mais que tudo. Entendi que existem mil maneiras de viajar, nenhuma errada mas que o que eu buscava ia além de uma selfie no ponto mais visitado da cidade, embora seja legal chegar nesse ponto e tirar foto sim.

Escrevi, também no blog, como meu pai me ajudou no meu processo de mochilar. Achei, na época, que largar tudo e viver sem nenhum bem material era sinônimo de liberdade, mas recuei, hoje, para entender que tudo bem viver com posses, desde que saibamos quem pertence à quem, ou melhor, que nada nos pertence efetiva e eternamente (olha o desapego do texto anterior aí rs). Perder algum objeto ou perder um pensamento faz parte, assim como receber novos. Precisei ir ao pensamento extremista de que liberdade só é real quando desapegamos de tudo para enfim assistir ao filme que meu amigo comentou e perceber que sim, a felicidade só é real quando compartilhada. As pessoas não estão jogadas no mundo para cada um viver sua vida sem interferência do outro, com respeito precisamos viver no coletivo, precisamos do outro, do contato físico, do abraço, do beijo, de longas conversas sobre o que aprendemos, de horas escutando para aprender. A natureza ensina muito, assim como as pessoas, é um pecado ignorá-las.

Na Natureza Selvagem foi um filme inspirador para mim assim como para tantas outras pessoas, a primeira vez que assisti pensei que tinha que ser igual à ele e largar tudo, só assim me tornaria plena, completa, mais perto dessa grande energia que paira no universo. Hoje não enxergo mais esse extremo, acredito que podemos estar na babilônia e viver livre, afinal a vida me colocou nesse caminho de viver numa selva de pedra, pois mesmo no caos se dentro de você tiver o amor e a coragem necessários para a liberdade, você será livre, não é a natureza selvagem que te trará isso, embora ela com certeza consiga te dar o caminho de maneira mais fácil, se você souber enxergar.

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